A primeira obra do Mestre Molina era movida pelo vento, e quando o vento parava, o espetáculo esperava, segundo palavras do próprio mestre. Uma obra perdida, sem imagens ou registros de qualquer espécie. Uma obra que nenhum historiador, pesquisador da obra de Molina jamais viu. Muitos até desconfiam da sua existência. Mas, pouco importa, foi no desejo de materializá-la que a obra de Molina surgiu.
Utilizando este mesmo desejo: vento, engrenagens e lembranças, construímos a nossa obra. Vento que sopra as copas das árvores e gira o cata-vento, que balança a cortina e leva o pensamento para longe, vento que movimenta as engrenagens distantes dos olhos e, através de seu balé mecânico de barbantes, polias de madeira e arames, trazem vida aos bonecos, personagens que habitam nossa memória. O que antes eram lembranças fragmentadas se somam e se transformam em linguagem, vida, "vida geringonça" como já dizia Mestre Molina.
Geringonças Animadas: instalação participante do Mostra Sesc de Artes, em Novembro de 2007. Concepção e execução: Jum Nakao e Pop, Sound Design: Paulo Beto.